domingo, 25 de junho de 2017

ASSÚ Tem o São João Mais Antigo do Mundo


Texto de Ivan Pinheiro

Quando Sebastião de Souza Jorge doou o terreno para serem construídas a Igreja Matriz e a Casa Paroquial do então Arraial Nossa Senhora dos Prazeres, no ano de 1712, a comunidade se empolgou, construiu uma cruz e a encravou no centro da área, para que ali fossem celebrados os atos litúrgicos.

Com a chegada do Padre Manoel de Mesquita e Silva (1720/1728), para ser o vigário titular da povoação, os trabalhos para implantação do hábito religioso ligado a religião Católica Apostólica Romana, que ocorriam ao 'pé da santa cruz' e sob as sombras de frondosas árvores, sm frequência, passaram a fazer parte do dia-a-dia da população.

No ano de 1726, numa ação comunitária, foi construída (de madeira e barro) uma pequena 'casa de oração' defronte a cruz, à época, já cognominada de "cruzeiro".

Graças a esta ação foi criada na Ribeira do Assu a segunda Freguesia da Capitania do Rio Grande e a quinta do país, tendo como padroeiro São João Batista.

A partir deste período a população assuense passou a vivenciar os festejos alusivos ao padroeiro. Após os atos religiosos, ocorridos no mês de junho, a comunidade se reunia no adro da 'Casa de Oração' para festejar. Uma enorme fogueira era acesa e, ao redor dela, todos dançavam. Naquele momento assavam espigas de milho, agradecendo ao padroeiro a boa colheita, enquanto que as crianças tomavam os mais velhos como "padrinhos ou madrinhas de fogueira". Nas casas mais afortunadas eram formados mutirões para debulhas de feijão. Este encontro era uma espécie de 'rádio peão' onde atualizavam as novidades da província, contavam estórias e trocavam experiências especialmente sobre o inverno do ano vindouro.

O tempo foi passando, o Arraial contava com um crescente desenvolviento, sobretudo na agricultura, pecuária e na produção de sal e carne seca, figurando como o mais destacado centro das Ribeiras da Capitania do Rio Grande. Neste contexto, a povoação de São João Batista da Ribeira do Assu, passou à categoria de JULGADO DO ASSU. O Senado da Câmara de Natal foi contra essa pretensão. A despeito, porém, de tal oposição, o Rei, no dia 29 de novembro de 1754, despachou favoravelmente o pedido, passando a então florescente Povoação à categoria de Julgado.

No dia 15 de julho de 1760, sob coordenação do Padre João Saraiva de Araújo teve início à construção da Matriz de São João Batista, obedecendo ao projeto em estilo romano por dentro e por fora barroco. As primeiras pedras para edificação foram transportadas em carros de bois. Vários índios, trazidos de Apodi trabalharam na edificação da atual Matriz de São João Batista.

A Povoação de São João Batista da Ribeira do Assu, recebeu da beata Clara Soares de Macêdo duas doações de terras do então Sítio Itu. A última doação ocorreu no ano de 1776. Pela doadora foi dito que, "em virtude de um voto feito a São João Batista, entregava-lhe para sempre o restante de sua terra, demitia-se de toda posse, jus e senhorio".

Daí para as festas sociais e religiosas, que neste ano de 2010 estamos comemorando 284 anos, foi "um pulo". Manifestações religiosas e culturais sempre ocorreram. Vejamos algumas das nossas tradições pelo lado social:

Acender fogueira para comemorar o dia de Snato Antônio, São João e São Pedro;

Soltar balão junino para ofertar ao Santo. Ao tempo em que a população acompanha a trajetória do mesmo para, de conformidade com a direção, saber se o ano seguinte é bom de inverno;

Participar de procissões: descalço; com pedras na cabeça; vestidos com pele de carneiros; conduzindo quadros e imagens para pagar graças alcançadas ou agradecer a boa colheita;

Promover vaquejada para mostrar o gado gordo, bonito e possante;

Montar quadrilha matuta para comemoração de casamentos na roça e, nas últimas décadas, participar de concursos;

Promover o jogo de argolinhas onde os cavalos e vaqueiros saíam adornados de fitas, cada uma delas representando as arglas conquistadas com habilidade e bravura. Este folguedo deixou de existir, em Assu, à poucas décadas;

Gato no pote; pau-de-sebo; corrida de jegue, alvorada e retreta pela banda de música; passagem de ramalhetes, entre outras manifestações folclóricas.

Sabe-se que no mundo, há quase dois mil anos, vive-se festas alusivas ao precursor do Messias, aquele que batizou a Jesus Cristo. Portanto, é lógico que o São João não surgiu em Assu.

No entanto, pode-se afirmar que, no mundo, este tipo de manifestação baseada na cultura nordestina só existe no Brasil. Neste país, o município de Assu é o que comemora, nesse estilo, o São João Batista como padroeiro, ininterruptamente, há mais tempo.

Diante dessa realidade, considerando os festejos religiosos e profanos, o município detém o título de: "Assu - O São João Nordestino Mais Antigo do Mundo".

                               Ivan Pinheiro 

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