sábado, 11 de julho de 2020

A Sétima Oficina


Logo no primeiro dia de atividades relativas ao Programa Novo Mais Educação, um aluno me perguntou: Coordenador, por que não tem uma oficina de futsal? Eu tinha sua resposta na ponta da língua, mas como era apenas um coordenador, então fiz como a maioria dos adultos... fiquei em silêncio. Mas aquele aluno não desistia fácil das coisas. Nos dias seguintes insistiu sempre na mesma pergunta. Ele era um menino muito esperto apesar de não saber ler e nem escrever, além de ter alguns vícios de linguagem compatível com pessoas analfabetas.

Na segunda semana ele continuou com a sua indagação: _ Coordenador, por que não tem uma oficina de futsal? Eu estava ficando incomodado com aquela pergunta, porque aquela também era minha indagação quando assumi a coordenação. Na terceira semana ele desapareceu das oficinas. O garotinho ficava apenas para o almoço e depois fugia das oficinas. Eu avistei ele chutando uma garrafinha de refrigerante no intervalo da aula regular. Ao me aproximar ele foi logo perguntando: - Coordenador eu não quero participar das oficinas. - Por que meu garoto? Você vai aprender a ler e escrever! O garoto não disse nada, apenas continuou chutando a garrafinha de refrigerante.

Ele parecia ser bom no jogo de bola e tinha uma ótima coordenação. Estava ganhando dos colegas. Eu fui até o almoxarifado da escola e peguei uma bola de borracha da oficina de ginástica artística. Conseguiu equilibrar a bola no peito do pé e fui logo fazendo algumas embaixadinhas, então chamei o garoto e falei: _ Você tem muita sorte garoto! Eu serei o professor da sétima oficina. O garoto me abraçou e disse: _ Agora eu aprendo a ler e escrever, porque não vou perder um dia de oficina! Ele não parava de olhar para bola de borracha. Sete anos depois... a sétima oficina terminou do jeito que começou. Enquanto houver sonhos, haverá esperança. 
                                           Endrison dos Santos 

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